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20/05/2026

Dr. Ezequiel García, presidente da ISQua em palestra no CISS da Hospitalar

Crise silenciosa na saúde: ISQua alerta para mortes evitáveis e urgência na cultura justa na Hospitalar 2026

São Paulo, 20 de maio de 2025 - Em um cenário global onde a segurança do paciente deveria ser prioridade, dr. Ezequiel Garcia, presidente da Sociedade Internacional para Qualidade em Saúde (ISQua), lançou um alerta contundente sobre a persistência de mortes evitáveis e a necessidade imperativa de uma cultura justa e governança eficaz no setor. Em sua palestra de hoje, no CISS – Congresso Internacional de Serviços de Saúde – da Hospitalar 2026-  dr. Garcia destacou que, mesmo após três décadas do movimento de segurança do paciente, o mundo ainda enfrenta desafios alarmantes que resultam em perdas de vidas que poderiam ser prevenidas.

Cenário preocupante: dados e impactos - De acordo com o Dr. Garcia, relatórios recentes revelam uma realidade sombria: muitas mortes em todo o mundo são evitáveis e decorrem de falhas na qualidade dos cuidados de saúde. Na oportunidade, enfatizou que o sistema de saúde, em vez de ser um porto seguro, muitas vezes se torna um ambiente inseguro, contribuindo para óbitos que poderiam ser prevenidos. Estima-se que um em cada dez pacientes sofra danos evitáveis em hospitais globalmente, totalizando cerca de 2,6 milhões de mortes evitáveis anualmente. A causa, segundo o presidente da ISQua, é fundamentalmente sistêmica, e não atribuível a indivíduos isolados, uma situação que se arrasta por anos.

Papel decisivo da alta direção - Um dos pontos cruciais abordados pelo Dr. Ezequiel Garcia foi a importância da participação da alta direção nas instituições de saúde. Segundo ele, a liderança tem o poder de moldar a cultura organizacional, definindo se os comportamentos serão passíveis de punição ou se serão encarados como oportunidades de aprendizado. Uma direção participativa e focada no aprendizado, em vez da punição, gera os melhores resultados. Garcia revelou que aproximadamente 70% dos eventos adversos não são reportados devido ao medo, vergonha, descrença no sistema ou burocracia. Para reverter esse quadro, é essencial que os líderes possuam capacidade de escuta e sensibilidade social, incentivando suas equipes a expressarem suas preocupações e emoções, e a anteciparem reações.

Pilares para uma cultura justa - Para o Dr. Garcia, a construção de uma cultura justa exige um conjunto de valores e práticas, incluindo: informação e transparência com acesso claro e abertura de dados; escuta ativa; estabelecer laços entre as equipes e metas bem definidas; paciência, empatia e respeito, fundamentos importantes para criar um ambiente de trabalho saudável; comunicação clara e assertiva; dar e receber feedback; proporcionar tolerância aos erros, compreendendo falhas como oportunidades de aprendizado e foco nos resultados e com melhoria contínua

A cultura justa é operacionalizada através de definições claras, como a distinção entre evento adverso evitável e não evitável, e a compreensão do evento sentinela (morte ou dano permanente). O conceito de coprodução de saúde, onde o paciente é um participante ativo nas decisões, e a prevenção quaternária, que visa evitar danos por intervenções desnecessárias, também são pilares dessa cultura.

Dr. Garcia delineou seis compromissos fundamentais para a alta direção que desejam implementar uma cultura justa: assinar política de reporte não punitivo, onde haja garantia nos relatos de erros e que não resultem em retaliação; utilizar uma ferramenta estruturada para avaliar a responsabilidade em incidentes, distinguindo entre erro humano, comportamento de risco e conduta imprudente; manter contato direto com a realidade operacional e os desafios enfrentados pelas equipes; implantar programa de segunda vítima; oferecer suporte aos profissionais de saúde que se sentem traumatizados após um evento adverso; desenvolver feedback de cada notificação em até 30 dias; demonstrar que os relatos são valorizados e geram ações; medir cultura de segurança anualmente.

Dr. Ezequiel concluiu sua palestra com uma afirmação assertiva: “O silêncio sobre o erro é uma escolha de liderança”.