Pressão alta avança silenciosa e impulsiona quase 350 mil mortes por infarto, insuficiência cardíaca e AVC no Brasil
26 de abril: Dia Nacional de Prevenção e
Combate à Hipertensão Arterial
São Paulo,
22 de abril de 2026 –
Silenciosa, comum e muitas vezes negligenciada, a hipertensão arterial segue
como um dos principais gatilhos para duas das doenças que mais matam no país:
infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Só em 2025,
o Brasil registrou de 177.810 mortes por infarto e 104.363 mil por AVC, segundo
levantamento da Organização Nacional de Acreditação (ONA), com base no Sistema
de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde (DATASUS).
Os dados
incluem diferentes tipos de eventos cardiovasculares e reforçam o tamanho do
problema: foram ainda 64.133 óbitos por insuficiência cardíaca. Para 2026, os
números ainda estão em consolidação, mas já indicam a continuidade do cenário
preocupante. Total de 346.306 óbitos por infarto, AVC e insuficiência
cardíaca.
Uma doença silenciosa e perigosa - A hipertensão é considerada uma doença silenciosa
justamente porque, na maioria dos casos, não apresenta sintomas. É um dos
principais fatores de risco para doenças cardiovasculares no mundo, como
infarto e AVC. “Ela pode
causar lesões progressivas nos órgãos-alvo, como coração e cérebro, mesmo
antes do surgimento de sintomas. Infelizmente, muitos pacientes desconhecem que
são hipertensos e acabam recebendo o diagnóstico apenas após um evento mais
grave”, alerta o intensivista e membro da ONA,
dr. Fábio Basílio.
O especialista ressalta, no entanto, que a
hipertensão arterial é considerada um fator de risco modificável. “Quando
identificada precocemente e devidamente acompanhada, é possível reduzir de
forma significativa o risco de complicações ao longo do tempo, mas não deve ser
subestimada justamente por seu caráter silencioso”.
Para o doutor, a identificação precoce é uma das
estratégias mais importantes para prevenir eventos cardiovasculares graves e
reduzir mortes evitáveis. “Quando
o paciente descobre a hipertensão tardiamente, muitas vezes já existe algum
grau de comprometimento cardiovascular. Por isso, o diagnóstico precoce faz
toda a diferença”.
Como identificar um AVC precoce? O SAMU destaca a escala de Cincinatti
utilizada como uma ferramenta de reconhecimento precoce. “É importante sempre
pedir para a pessoa sorrir, levantar os braços e falar. Qualquer sintoma novo
como assimetria na face durante um sorriso, perda de força em um dos braços ou
fala enrolada, o indivíduo deverá procurar atendimento de urgência”, alerta o
doutor.
Quando começar a tratar - As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial,
atualizadas em 2025 por sociedades médicas (Cardiologia, Hipertensão e
Nefrologia), reforçam que níveis de pressão arterial acima de 120 por 80 mmHg
já são associadas ao aumento do risco cardiovascular, inclusive em indivíduos
aparentemente saudáveis. “A aferição da pressão arterial é fundamental, mesmo
na ausência de sintomas. A prevenção começa com acompanhamento, mudança de
hábitos e controle dos fatores de risco”, explica o doutor.
AVC: fatores de risco e sinais de alerta - O AVC está diretamente associado a fatores como
envelhecimento, hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo, estresse,
colesterol elevado e histórico familiar. Pessoas acima de 55 anos têm maior
risco, especialmente quando acumulam essas condições.
“É uma soma
de fatores. A hipertensão, sozinha, já é um risco importante, mas quando
combinada com outros hábitos e doenças, o perigo aumenta exponencialmente”,
destaca dr. Fábio.
Os sinais
de alerta exigem atenção imediata: alteração no equilíbrio e coordenação;
dificuldade para falar ou compreender; alteração na visão; dor de cabeça súbita
e intensa; e fraqueza ou paralisia em um lado do corpo. “Diante de qualquer um
desses sintomas, não se deve esperar. O tempo de resposta é determinante para
evitar sequelas e até a morte”, reforça o intensivista.
Tipos de AVC - Existem dois tipos principais de AVC:
- Isquêmico: causado pela obstrução de uma artéria,
impedindo a chegada de oxigênio ao cérebro (cerca de 85% dos casos)
- Hemorrágico: ocorre quando há rompimento de um vaso
cerebral, com sangramento (mais grave e com maior risco de morte)
Falhas no atendimento ainda agravam casos de AVC - Apesar de ser uma condição tratável, o AVC ainda
enfrenta falhas importantes no cuidado em saúde e muitas delas evitáveis.
Na fase
inicial, é comum a dificuldade em reconhecer os sinais ou até a sua
subestimação, além da confusão com outras condições, como enxaqueca ou
vertigem. Também há atrasos na realização de exames essenciais, como a
tomografia, o que compromete decisões rápidas.
Durante o
atendimento, um dos principais problemas é a perda do tempo ideal para uso de
medicamentos que dissolvem o coágulo, além do controle inadequado da pressão
arterial e da falta de encaminhamento para procedimentos que podem retirar o
coágulo do vaso, quando indicados.
“Cada
minuto perdido no AVC significa perda de função cerebral. Quando o atendimento
falha, o impacto pode ser irreversível”, alerta o cardiologista.
Na
internação, persistem falhas como erros de medicação, monitoramento
insuficiente e problemas na comunicação entre equipes, além da prevenção
inadequada de complicações, como pneumonia e trombose.
Após a
alta, a ausência de um plano estruturado de reabilitação e a investigação
incompleta da causa do AVC aumentam significativamente o risco de novos
episódios.
Infarto: sinais que não podem ser ignorados - Os principais sintomas de infarto incluem dor ou
pressão no peito — que pode irradiar para braço, mandíbula ou costas — além de
falta de ar, suor frio, náuseas e tontura.
Em alguns
casos, os sinais podem ser confundidos com problemas digestivos, o que atrasa a
busca por atendimento. “Desconfortos abdominais, como náuseas e indigestão,
também podem indicar infarto e não devem ser ignorados”, alerta o
cardiologista. “Muitos pacientes ainda chegam tarde ao hospital porque não
reconhecem os sinais. Isso reduz drasticamente as chances de recuperação”,
complementa.
Erros evitáveis no cuidado ao infarto - Entre as falhas mais comuns estão o atraso no
atendimento, problemas no uso de medicamentos, diagnóstico tardio e falta de
continuidade do cuidado após a alta hospitalar.
Esses
fatores impactam diretamente a evolução do paciente e aumentam o risco de
complicações e morte. “Não basta tratar o evento agudo. É fundamental garantir
continuidade do cuidado para evitar novos episódios”, destaca.
Acreditação: organização que salva vidas - A adoção de processos estruturados de qualidade e
segurança — como os modelos de acreditação em saúde, a exemplo da Organização
Nacional de Acreditação — tem impacto direto na prevenção de eventos graves,
como infarto e AVC.
Instituições
acreditadas operam com protocolos rigorosos que permitem identificar
precocemente pacientes de risco e agir com rapidez em situações críticas. Isso
se traduz em monitoramento mais eficiente, atendimento padronizado, redução de
erros e maior integração entre equipes.
Mais do que
processos, a acreditação fortalece uma cultura de segurança, na qual sinais não
são ignorados e decisões são baseadas em evidências.
“Quando
falamos de infarto e AVC, tempo e precisão fazem toda a diferença. Serviços
organizados conseguem agir mais rápido, reduzir complicações e salvar vidas”,
conclui.